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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Hackers

Éramos cinco. Os algoritmos quase se digitavam sozinhos. Tínhamos pouco tempo para quebrar o código de acesso antes que o Chapéu Preto percebesse o que estávamos fazendo. Os dados seriam úteis para derrubar de vez aquela emissora tendenciosa, com sua impressa marrom a favor do Governo. O problema é que a cada barreira quebrada, mais expostos ficávamos. E no nosso meio nenhum erro é permitido, ainda mais quando se luta contra este Status Quo corrompido. Um a um, meus companheiros caíram, fincando só WH e eu. O medo bateu, mas se conseguisse, além de cumprir objetivo, teria a fama. Derrubar o sistema. No último instante, percebi que seria necessário um sacrifício para obter os dados. Minha exposição abriu o canal que WH precisava para pegar os dados. Finalmente uma vitória, mas que teria um gosto amargo para mim. Em menos de 3 minutos, minha casa estava cercada pelo esquadrão especial da polícia. Preso e sem direito a julgamento, era minha sentença. Meu único alento era a certeza que o esquema de corrupção fora desvendado e há essa hora metade da população lia sobre isso: Hackers Tá na Mesa!




Hackers Boardgame está sendo desenvolvido por Eduardo Guerra, especialista em TI e grande aficionado por jogos. O jogo é um Deck Building (nota do Sr. Slovic: Deck Building é uma mecânica onde os jogadores devem construir um baralho com cartas disponíveis na mesa, assim como Dominion e Ascension), mas diferente de outros com essa mecânica ele é Cooperativo. Os jogadores fazem o papel de hackers que devem corromper e roubar dados de um determinado alvo antes que tenham seus próprios dados vazados na rede. Comporta de um a cinco jogadores, com duração média de 90 minutos.

- Isso é apologia ao crime! Lei Luana Piovani!

Calma lá, Tomagoshi com Windows Vista! Primeiro, assim como o próprio Guerra destaca no manual do jogo: “Ressaltamos que somos contra qualquer atividade na internet que desobedeça as leis de qualquer país. O jogo Hackers é uma obra ficcional cujo objetivo é apenas entretenimento e informação, e que não fazemos apologia a atividades criminosas”.




Voltando, assim como em Pandemic, cada jogador escolhe um personagem no início do jogo. Cada personagem tem uma habilidade e especialização diferente. O deck é composto por doze cartas, que são iguais para todos, e mais duas do personagem. Há quatro tipos de cartas: ataque, defesa, pesquisa e especiais. Antes de a partida começar os jogadores devem também escolher um Cenário e um Alvo. Estas cartas mudam algumas regras do jogo e acrescentam algumas condições para a vitória. A condição básica é roubar todos os Pontos de Dados  do Alvo.

As cartas são um atrativo a parte do jogo. Como já dissemos o autor é um especialista na área da computação e criou as cartas usando fatos reais e do cotidiano deste universo. Hackers se torna uma aula de computação neste quesito. Como na maioria dos jogos cooperativos, o grande adversário é o tabuleiro. Uma grande sacada do Guerra foi criar o tabuleiro central como várias linhas de rede. Assim para atacar o Alvo, os jogadores devem ter uma Linha de rede sem obstáculos. Há seis linhas no jogo, mas no máximo três estarão disponíveis por turno. Antes das ações do jogador, rola-se três dados que indicam as linhas disponíveis. Se dois dados tirarem o mesmo número, significa que esta rede está congestionada, dificultando o ataque. Já se os três dados forem iguais, a rede está desobstruída, facilitando a ação dos hackers.

- Isso é complicado e isso é apologia ao crime! Vou mandar prender vocês!!! Lei Luana Piovani neles!

Menos, Ladybug do milênio! O jogo é mais simples do que aparenta. Em seu turno o jogador deve comprar seis cartas do seu deck, determinar as linhas disponíveis e sacar uma carta do deck adversário, colocando na rede. Há seis espaços disponíveis para essas cartas na Rede. Se não houver espaço para a entrada da carta de Adversário, ele vai para Reserva e entra assim que um espaço estiver livre. Estas cartas, além de modificarem o jogo, com fortalecendo outra cartas, prejudicando os hackers ou mesmo introduzindo vírus no sistema, impedem os jogadores de atacarem o Alvo para roubar seus dados. Depois disso, o jogador pode resolver suas ações, ou seja, jogar suas cartas, seja para atacar o Alvo ou a Rede, para se defender depois de atacar ou comprar novas cartas com a ação de Pesquisa. Outro jogador pode, uma vez por rodada, dar uma das cartas de sua mão para o jogador da vez, auxiliando em sua ação, mas ao fazer isso essa carta é retirada da partida. Se por um lado é ruim porque você fica com uma carta a menos em seu deck, por outro lado é bom, porque você fica com menos cartas no deck e aumenta a probabilidade de você pegar no deck as cartas que foram compradas na pesquisa, que são melhores que as inicias, já que no fim do turno todas as cartas, usadas ou na mão vão para o descarte e novas são compradas. Quando não for possível mais comprar seis cartas do deck, todas a cartas do descarte voltam para a pilha inicial. Ter um deck muito grande ou muito pequeno mais atrapalha do que ajuda.

O jogo termina em cinco situações: todos os dados do alvo são roubados; acabam as cartas do Deck Adversário; uma segunda carta de Adversário entra na Reserva; ou ocorre alguma condição descrita na carta Cenário. Só a primeira situação dá vitória aos jogadores. Todas as outras significam derrota. Além disso, se algum Hacker perder todos seus pontos de Dados será eliminado.

- O jogo além de ser impossível de vencer e é uma apologia ao crime! Finalmente, depois de tanta humilhação, vou mandar prender vocês!!! Lei Luana Piovani neles!


Deu Tela azul no seu cérebro? Primeiro já dissemos que isso só um jogo. Assim como em Puerto Rico ou Five Tribes não há apologia a escravidão, aqui não há apologia a atividade criminosa de hackers. Segundo, informe-se melhor, pois assim como nem todo hacker é “do mau” (Nota do Sr. Slovic: Conhecidos como Chapéu Preto), há profissionais que se utilizam dessas técnicas para deixar a internet mais segura para todos (Nota da Sra. Slovic: Também chamados de Chapéus Brancos). E terceiro e mais importante: a lei se chama Carolina Dieckmann, seu acéfalo desinformado!


No geral, Hacker é um ótimo jogo. Bem dinâmico, com muita interação entre os jogadores. O jogo é baseado em um universo próprio: um futuro distante (Nota da Sra. Slovic: Ou nem tão distante assim), onde Corporações malignas se uniram a governos corruptos e oprimem a população, e somente poucos tem coragem e habilidade suficiente para tentar derrubar o Sistema (Nota do Sr. Slovic: Cyberpunk rules!). As cartas de Cenário mostram bem esse panorama. Hacker ainda está no forno e esperamos que logo esteja disponível. Ele tem tudo o que um bom boardgame precisa (nota do Casal Slovic: Além de ser cooperativo, o que o faz ganhar muitos pontos conosco). Então, você tem coragem de se aventurar pela Matrix?



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